sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Pograma de rádio

Ao que parece hoje fui entrevistado, num programa de rádio que vai passar na rádio santiago num programa chamado submarino, no sábado das 2 às 4 da manhã, é um programa um bocado estranho, mas a hora a que passa também não é para menos...
O lema do "pograma" é "até bater no fundo..." por isso se tiverem oportunidade, não ouçam! acreditem! depois não digam que se arrependeram!

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

cinco greguerías & have a nice day

Outro dia olhei para ti, e esqueci-me de respirar.

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A vida é feita de pequenos nadas, tudo são pequenos nadas, logo a vida é feita de pequenos tudos.

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Não sei de onde venho, nem para onde vou... e no entanto ainda estou aqui.

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Frustração: ser escolhido para um dos cargos mais importantes do mundo, escolher o email e receber uma resposta: Bento já existe, posso sugerir Bento16?

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E nesta dança da vida, aquilo que sou, é parte de quem conheci, e por aqui passou.

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Este post vem em jeito de um challenge por parte do I Blog Your Pardon, a mim, e aos seguintes bloggers:

Daniela: Meia Laranja Inteira
Redjan: redjan... pieces & ideas!
Gata: Lazy Cat
Carlos Lopes: I Blog Your Pardon!!!

Ao todo 25 greguerías, dá para um livro! Por isso cusquem!

Segundo consegui apurar na wikipédia (faço referência não vá alguém processar-me pelo copy-paste! Se bem que acho que se notava bem o copy-paste... escrevinham diferente, os que nos tratam por "nuestros irmanos" e no entanto, não o são!)

Las greguerías son textos breves, generalmente de una sola frase, que expresan, de forma aguda y original, pensamientos filosóficos, humorísticos, pragmáticos, líricos, etc.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

O meu primeiro amor

Foi este!


A minha prima Marisa, olhem bem para este moranguito!


Tinha eu 2 anos, e até já tínhamos casamento marcado!
A minha tia Emília fazia catering para casamentos, e
então eu encomendei-lhe o meu!
Isto tudo aos 2 anos!

Depois seguiu-se... já não me lembro do nome... ups...
Mas lembro-me dela, o que já não é mau de todo não?


Era a minha vizinha do lado. A do meio, que a outra segundo me dizem, é minha irmã.
E já vinha com a indumentária incluída, o que me dava jeito agora, para a minha casita nova.

Nisto de gaijas, até que não tenho mau gosto não acham?

Epá, nostalgia, quero voltar a ter 2 anos!!!!

Uma Caixa


Numa casa da adolescência...
Procurava um caderno azul...
Do qual me lembro bem, mas o havia esquecido...
No entulho de uma vida, outrora por mim vivida,
Os meus olhos pararam numa simples caixa, de um perfume de outros tempos...
Veio-me o cheiro, do perfume e das memórias...
Entrou sem pedir licença, e por ali deambulou...
Sabia o que continha, pedaços de uma vida, a minha...
Entre fotografias e papeis, bilhetes e rascunhos, cartas e recordações, ri, lembrei e chorei...
De sentimentos que havia vivido.
De sentimentos que ainda vivo...
Fecho agora a caixa, comigo outra vez lá dentro.
Os sentimentos ficam de fora...
Entre a caixa e o agora...
Uma vida vivi...
Uma outra não vivi...

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

No Rio Minho

E porque a vida também é isto, e enquanto esperamos por ela,
valem-nos os pequenos momentos, pequenos nadas,
Como este:

Agora ando numa de kayakista, coisas...

Mas outro dia, a conversar com um cliente ele disse-me: há e tal, é giro, mas é coisa de gaijas!!! E já não é a primeira vez que ouço isto!
Coisa de Gaijas?!?!?!?!?!?
Sem ofensa às senhoras, que para o caso nem tem nada a ver, até foram duas dos Tamecanos este fim de semana (e até andam bem melhor do que eu, que sou gaijo!), mas é mesmo a expressão...

Para que não restem dúvidas, isto é kaiak!

O meu primo a desbravar um rio de
glaciar derretido este ano na Suíça!


Pronto, agora que está esclarecido!

O plano era sábado, ir até Melgaço, descer a parte de cima do Minho e no Domingo descer a parte de baixo, ao todo cerca de 45-50 Km...
Até aqui tudo bem...

O meu primo disse-me na sexta: O Rabiço (o meu Dentista!) vai sair de Mondim ao meio-dia e vai-te buscar... eu disse: estou mesmo a ver... mas pronto...
O que é certo é que ao meio dia, o telefone toca... e estando eu deitado desce cerca das 7 da manhã (a digitalizar fotos antigas, e a ajustar um qualquer tópico anterior, que meti na cabeça que havia de sair na sexta), era o Rabiço: Olha vou sair agora, queres o meu kayak verde, que eu vou noutro que comprei? (é que eu ainda sou novo nestas andanças, ainda só tenho parte do material... a parte das luvas, dos botins e do capacete! Se bem que o meu anorak chegou este fim de semana! Eia! É uindo! A pagaia, provavelmente para a semana! O kayak, quando tiver dinheiro...) Pode ser!
Ok, vou sair de Mondim agora, daqui a 40 minutos estou aí! - disse ele.
Foda-se! - pensei eu, pela primeira vez na vida este gaijo vem a horas!?!?!?!
Arrastei-me até à banheira e siga "auguinha" para ambientar!
12:40, 13:00... 13:30... pego no telemóvel...
- Rabiço? - digo
- Sim.
- Então?
- Olha qual é a entrada do prédio do teu primo, é que eu tenho que ir buscar umas cenas!
(O meu primo mora em Mondim, ou seja ainda lá estava... Agora sim Rabiço, começas a parecer tu!)
- De frente para o Sousa, a terceira porta a contar do lado direito!
Saiu-me o segundo foda-se do dia, daqueles de quem ficou a dever 2 ou 3 horitas à cama e não as teve...
Resumindo e às 3 da tarde ele lá chegou, ele, o Pedro e o meu novo amigo o Bessa (em homenagem ao Rio Bessa!)... com fome... fomos almoçar...
Como é óbvio, não fomos ao rio no sábado, líquidos não faltaram, mas não foi água...
Paramos no feira nova e siga, uma caixa de 24 mines, e 2 pacotes de batatas fritas pra viage! Isto depois de almoçar claro!

E fiz das coisas mais estranhas... passei uma cerveja ao condutor, que ao que parece já ia a conduzir de uma maneira bastante peculiar... Com o Bessa ao colo!



(Rabiço mostra como se faz!)
(E o Bessa gosta de cerveja!)

Como também é óbvio, quando chegamos lá, já estavam os nosso colegas a sair do rio, ainda assim a festa, essa, é nossa, sempre!


Bem saimos do rio, de noite e parecia que já eram pelo menos umas 9 horas, ainda eram 6 da tarde...
jet-leg do fuso horário, ou isso...

Vamos-nos sentar em qualquer lado, pergunta um? Vamos.
Conclusão 9 gaijos, 2 meninas e 1 cão, para onde vamos? Solar do Alvarinho! Claro está!
Estava cheio! Ao que parece festa de antigos alunos do liceu (isto lembra-me qualquer coisa... provavelmente mais para o final do mês falamos), mas da década de 40!!!!

E entramos, de Bessa e tudo!

(O meu mais recente amigo!)
(Foi amor à primeira vista!)

Conclusão e meia dúzia de garrafas de alvarinho depois, fomos comer...

Um bacalhau assado assado com fiambre e queijo por cima, coisa que eu nunca tinha visto, mas de-li-ci-oso!

O que vale é que andei a discutir vinhos maduro tinto com o Mário!
Este é que é bom, "Ó amigo abra lá uma destas!" É bom sim senhora!
Não, vais ter é que provar este "Reserva de 1999"! Caraças! Que pomada!
...etc...
Adiante, pagamos 4 vezes mais pelo vinho que pela comida (eu e o Mário claro!), mas saímos de lá con-so-la-dos!


(Olhem bem para isto... um must...)
(Se bem que por esta altura já devia pensar...
$&$&$ para estes kayakistas!)

Do restaurante para um bar, de um bar para o acampamento, montar tendas às 2 da matina, o que também é muito bem pensado...

O people por volta das 3 morreu...
Mas ficaram 2 resistentes a tocar viola até às 5 da manhã...
Eu e o meu dentista!
Até que eu disse: Rabiço, já não sinto as mãos! (Estava um destes frios...)
Que é que vamos fazer?
O estado era este...




Como o "aço" portanto...

Virei morçego e siga...


Vamos pendurar kayaks!
Nas árvores!
Amanhã colhem-se!

A primeira árvore ficou mais ou menos assim!

(Um dia quando for grande ainda vou ganhar juizo!)
(O que vale é que nunca vou ser grande!)

Mais duas se seguiram...
Hora e meia e 15 kayaks depois...
Sim que isto de pendurar kayaks, não é tão simples quanto parece!
É preciso subir às árvores e pendurá-los!
E ainda foi preciso tirar 3 de cima de uns carros com uns gaijos a dormir lá dentro!
O que a estas horas da noite também é coisa pouca!

Conclusão, dormir às 6:30 da matina...
O que vale é que como a tenda é minha, e tem 2 quartos pude escolher...
Escolhi claro, o Bessa! O Rabiço e o Pedro que se amanhem!
Meia hora de festa e brincadeira. Com o saco cama, o sol a aparecer, aquecem-me...
O corpo, porque o Bessa aqueceu-me a alma...
Umas lambidelas no nariz depois, lá morri também!
Às 9, duas horitas depois portanto... ouve-se: "gooooooood moooooorning vietnam!!!!!!!"
Saíu-me assim a modos que meio rouco, mais um foda-se!
Os 18&Cia chegaram!

Depois foi só rir e ver o povo a colher kayaks!
Já estavam madurinhos!

Ora vamos lá então para o rio...
Logo no primeiro rápido, ariops, cabeça para baixo...
Demorei uns segundos a perceber onde estava...
Mas lá me apercebi e esquimotei... saiu à primeira!
Aliás como todas nesse dia!
Um orgulho!
E foram muitas chiça!
Um destes dias ainda aprendo a andar de kayak!

O que vale é que com isto tudo tanto eu como o Rabiço nos esquecemos das máquinas fotográficas no carro, vá-se lá saber porque...

Assim a modos que, fotos do rio,tá complicado...

E ainda estou à espera que os meus amigos do 18&Cia mas mandem, depois publico!

No fim do dia, só para não quebrar o ânimo, subir o monte até aos carros... cerca de 1km...
os primeiros 50 metros em areia estilo dunas, o controle de tracção funcionava mal que tolhe...
Depois 1km por um caminhozito de cabras sempre a subir que também é bem bom!
Completamente roto, molhado e de kayak às costas, disse:
Foda-se! E siga pá frente!

sábado, 3 de novembro de 2007

Anjo Luz

Hoje mais uma música…

É a história de um menino, que foi aprendendo
vivendo

É grande, eu sei, mas se tiverem tempo leiam e depois ouçam a música…

--//--

O meu pai diz muitas vezes:
O inferno é pessoal.

Concordo plenamente, mas acrescento:
Também o céu, também o céu…

--//--

truz, truz...
- Quem é? - Perguntavas tu tia Palmira
- Sou eu - Respondia
- Eu quem? - Perguntavas tu já em tom de brincadeira, só para me ouvir falar
- Eu palmida! - Dizia chateado
- E o que queres? - Dizias-me abrindo a porta
- Quero um buguçado.
- Já acabaram - Dizias com uma mão atrás das costas
- Já?
- Já, mas guardei este para ti - Enquanto me estendias a mão
- O tio Manel já acodou? - perguntava eu, deliciando-me com o caramelo…

Vinha da escola, e todos os dias a meio do caminho ali estavas tu, sentado à minha espera, negrito, o gato da minha avó. Tirava um pedaço de pão do bolso que guardava da escola e dava-to. Dali até casa caminhavas sempre comigo, acompanhando-me... Nunca ninguém percebeu como é que o negrito sabia a que horas eu vinha da escola, mas todos os dias à mesma hora ali estava ele, sentado à minha espera...
Foi muito triste o dia em que não estavas à minha espera, devias estar distraído, pensei eu... mas à medida que os dias foram passando, fui-me apercebendo... tinhas desaparecido, nunca mais te vi...
À hora do lanche a minha mãe dava-me um iogurte, mas não me dava colher. Não precisava.
Corria para tua casa avó, e trocava o meu iogurte do supermercado, por um feito por ti, numa panela com água quente embrulhada em cobertores... Atulhava-o de açúcar amarelo e deliciava-me. Lembras-te?
Lembro-me quando chegava que agarravas em mim e dizias: "Dlim dlão, cabeça de cão, orelhas de burro, não tem coração", enquanto pegavas em mim ao colo e andavas comigo às voltas... Outa vez - dizia eu no fim.
Lembro-me de me convenceres uma vez a ir à missa contigo, disse à minha mãe: "Vou à missa com a avó", "Está bem", respondeu ela. Não gostei, os padres não falam para as crianças, e tu ficas-te triste por eu não gostar.
Se fosse hoje ia todos os dias contigo à missa avó, só para estar contigo...
O quintal do meu avô era mágico, era a vida dele. Demorava eternidades a fazer qualquer coisa, mas tudo ficava impecável, até os regos das batatas eram verdadeiras obras de arte, lisos como se fossem de cimento.
Muitos trevos de 4 folhas apanhei eu no teu quintal avô.
Lembro-me de uma vez nascer um girassol com imensas flores, mais parecia uma árvore, coisa que toda a gente dizia que não podia acontecer, mas no teu quintal aconteceu...
Tinhas um olhar vazio, de quem já tudo viu.
Não tinhas muita paciência para mim, mas não faz mal, sempre gostei de ti assim.
Contavam histórias de quando tu eras novo e que tinhas muita força, de como tu e o tio Augusto pegavam num pipo de vinho sozinhos, ou de como tu carregas-te a sacos de batas que trazias do rio, a areia que construiu a casa da minha avó materna.
Os iogurtes eram feitos na embalagem dos teus medicamentos avô, medicamento que tinhas que tomar todos os dias antes das refeições. Pois não tinhas estômago, um cancro havia-to levado anos antes. Nunca o soubeste, pensavas que só te tinham tirado metade. Mas conheciam-te bem e foi melhor assim, pois os médicos davam-te apenas 1 ou 2 anos de vida e tu viveste mais 15...
- O tio Manel já acodou? - perguntei eu
- Já, acordou mesmo agora - respondia a minha tia Palmira
E eu levantava-me contigo, e fazia tudo como tu, até me arranjas-te uma lâmina para eu fazer a barba contigo (sem lâmina claro).
Tu tinhas uma paciência interminável, e um jeito para as crianças sem igual.
Contigo muito aprendi.
Lembro-me de me ensinares a conduzir, tinha eu 3 ou 4 anos e tu empurravas o teu 127 pela janela e eu ajudava-te a virar o volante, com o passar dos anos comecei a ter força para o virar sozinho!
Lembro-me que sempre conseguis-te compor tudo, até a bicicleta que me tinhas feito dum quadro que encontras-te compuseste, depois de eu ter partido o quadro ao meio. Um ferro daqui um arame dali, e lá durou mais uns tempos.
Lembro-me como eras forte, o homem mais forte do mundo pensava eu.
Ia para a praia contigo e com a tia e tu entravas no mar e nadavas para longe, eu a tia ficávamos a ver a tua cabeça a desaparecer no horizonte... Passado muito tempo dizia a minha tia, já aí vem, e a tua cabeça começava lentamente a aproximar-se da costa.
Lembro-me numa tempestade em que estavas a tentar reforçar o telheiro, este te cair em cima da cabeça, a minha mãe pensou o pior, mas tu saís-te lá de baixo apenas com um galo. Que até cantava dizias tu. Eras indestrutível.
Lembro-me uma vez na escola, de a professora mostrar um mapa mundo e eu perguntar se alguém já tinha atravessado a nado até à América que era muito longe... Disparate! Respondeu a professora. O meu tio Manel consegue pensei eu...

Lembro-me como se fosse hoje, era sábado, e eu estava a passar uns dias em tua casa avô, como fazia todos os verões, ao chegar a casa depois de passar um dia na praia com os meus amigos, reparei que estava lá toda a gente. Devem ter vindo visitar-te avô, pensei, pois estavas internado à dois dias, de uma trombose. Mas não. Quando cheguei o meu pai aproximou-se de mim e perguntou:
- Divertiste-te com os teus amigos.
- Porquê é que está cá toda a gente? – Perguntei eu estranhando.
- O teu avô morreu hoje de manhã. – Respondeu.
- Porque não me disseram nada?
- O que podias fazer?
- Nada, mas…
- Divertiste-te hoje com os teus amigos? – Interrompendo-me.
- Diverti, mas…
- É só isso que importa. – Respondeu-me enquanto me dava um beijo na cara.
Lembro-me de ter vontade de chorar e não conseguir.
Lembro-me de te ouvir dizer avó: - E agora que vai ser da minha vida?
Nesse dia toda a minha perspectiva da morte mudou, e por consequente a da vida.
No dia seguinte fui pela segunda vez a uma missa contigo avó.

Estavas em minha casa avó, sentiste-te mal e foste para o hospital.
Pedra nos rins disseram os médicos, não é grave.
Dois dias depois deixaste-nos…
Os médicos disseram que não aguentas-te o internamento…
Mas toda a gente sabe que morreste de saudade. Havia dois anos desde a morte do avô. E nunca mais tinhas sido a mesma.
A vida dele era cuidar do quintal, e a tua vida era cuidar dele…
E avó, fui à tua missa, porque isso te fazia feliz…

Nunca tinhas estado doente um único dia na tua vida tio Manel…
Uma doença bastou, a primeira e última.
Fui-te visitar a casa, a tia disse que estavas como de costume cá fora a ajeitar qualquer coisa. Desmaias-te, quando recuperaste os sentidos voltas-te para dentro e tornas-te a desmaiar… Depois de muito batalhar lá te convenceram a ir a um hospital…
Tiveram que te fazer análises a tudo, grupo sanguíneo, alergia à penicilina, etc… como a uma criança…
Tumor no cérebro inoperável, foi o que bastou para te derrubar…
Voltas-te para casa mas já sem a vida que sempre carregas-te em ti…
Lembro-me de te ir visitar.
Não me reconheceste.
Lembro-me de ver a tia chorar, e tentar de algum modo consolá-la, como muitas vezes ela me havia consolado a mim.
Lembro-me de te colocar uma mão em cima da tua que permanecia quieta na tua barriga, e com a outra dei-te de comer, como se dá a uma criança, que eu outrora fora.
E pela primeira vez apercebi-me, também tu em tempos foras uma criança.
Quis pegar no teu caixão e carregar-te uma última vez… Como muitas vezes carregaste comigo…
E pela primeira vez fui a um enterro.

De ti avô, herdei a força e a perfeição que ponho em tudo que faço, do mesmo modo que punhas no teu quintal…
De ti avó, herdei a calma e a paciência, devagar se vai ao longe, sempre dizias…
De ti tio Manel, herdei a habilidade de concertar coisas, e o amor pelas crianças, hoje compreendo que não há nada mais belo que a pureza de uma criança…
De ti tia Palmira, não herdei nada, pois ainda cá estás…
Já não te vou visitar tantas vezes como costumava. Não tenho tempo, justifico-me para mim mesmo, a desculpa da moda, mas não é verdade, pois tempo para ti, não me falta…
Mas prometo que te vou visitar em breve.
Vou, com uma lágrima no canto do coração, tocar à tua campainha. E tu vais, porque há coisas que nunca mudam, dizer:
- Quem é?
- Sou eu.


quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Assim SIM!!!

(o caixote diz: ideias bestiais 100$)

Hoje fui roubado...
Mas com pompa e circunstância e tudo mais a que tinha direito! Não fiz a coisa por menos!
Falo claro da escritura da minha casa, sim já cá estou a viver à 15 dias, mas a modos que clandestino.
O que é certo é que ao menos paguei, mas trouxe para casa uma resma inteirinha de papel de rascunho, isso e uma cãimbra na mão direita de tanto papel assinar...
Ainda perguntei, mas se estas trinta cópias são para mim, não posso assiná-las depois em minha casa? Parece que não...
Tenho portanto uma resma de papel de rascunho assinado por mim, o que vale logo à partida muito mais!

Parece é que o roubo começou ontem pois fui pagar umas centenas largas de euros, para um registo provisório... para hoje pagar uns milhares valentes pelo registo...
Acho que eles fazem isto do registo provisório não para parecerem anormais e testarem a nossa imbecilidade, mas sim como aquecimento... para o roubo à grande que se segue!

O que vale é que o banco estava com pressa de finalizar o caso ainda este mês (objectivos, deles não meus) e marcou a escritura para as 7 da tarde de hoje, véspera de feriado...
Ora, como os bancos estão fechados, o meu dinheirinho só vai parar à minha conta na sexta-feira!
Tive portanto que inventar para pagar tudo... ao pedir o extracto da minha conta no final o saldo dá "LOL" mas sem os L's!


Trouxe porém duas folhitas interessantes, com o resumo do que paguei...
O fantástico é que pelo menos linha sim, linha não, aparece "IMPOSTO DE SELO"...
Até paguei imposto de selo sobre comissões!
E imposto de selo, sobre, vejam bem... imposto de selo! Estou maravilhado!
Começa logo com: Imposto selo de verba (0,6%) - Bom!
E na linha seguinte: Imposto selo verba 1 (0,8%) - Excelente!
Tiraram o "de" e acrescentam um "1", sai uma preposição e entra um número que dá logo um imposto diferente! Claro!
O que vale é que só sabem contar até 1!!!!
Mas estão a trabalhar mal estes calhordas, não acham? Vejam o primeiro imposto que paguei! (aqui)
"Imposto de selo (4%)" tenho resmas, mais propriamente 8 linhas dele!!!
Já era altura de aprenderem alguma coisa com os hipermercados e por algo do tipo:
Imposto de selo (4%) -> Quantidade 8 -> Valor xxxxxx
Sempre poupavam 7 linhas e escusavam de me cobrar o "verbetes e processo"!!!

Para ajudar à festa o meu tlm que tem uma assinatura que me bloqueia as chamaditas num valor predefinido e hoje são 31, tinha 12 cêntimos, um minuto e meio de conversação ou um sms, como não chega nem para dizer olá enviei um sms, mas foi bem enviado! Fiquei portanto com 2 cêntimos no tlm!

Após olhar para o meu frigorífico, concluo que, não sobrevivo o dia de amanha a comer apenas gomas e a beber cerveja!

Mãe se estás a ler isto é só para te dizer que amanhã vou aí almoçar!

Quanto ao jantar logo descobrirei um cantinho que me dê de comer!

Já passa da meia noite, o que quer dizer que o meu tlm já está vivo!

Já posso ligar a toda a gente e berrar a plenos pulmões: "A casa já é minha!"
Mas a quem é que eu vou ligar a esta hora sem receber uma resposta do tipo:
"Fixe para ti, mas deixa-me dormir $#%#$&$%&!" ????

Será que posso fazer compras em chamadas de tlm?

O que vale é que tenho ali ao lado uma dívida por cobrar!
À minha cama!
Já me deve largas horas só destes últimos 15 dias!
Qual cobrança difícil, qual quê!
Dali não saio até que me pague tudo o que me deve! E com juros!